Brasil, país de imigrantes
*Bosco Monte
23 Jun 2009 – 17h17min
Este mês foi aprovado pelo Congresso Brasileiro o projeto de lei que anistia os imigrantes ilegais que vivem no Brasil. Segundo estimativas da Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil (ANEIB) a lei beneficiará entre 150.000 e 200.000 imigrantes.
O projeto depende somente da sanção do presidente Lula. Mas, ao tudo indica, sua decisão será favorável à aprovação, pois durante reunião em Genebra na semana passada, Lula repreendeu fortemente os chefes de governo que não respeitam os direitos dos imigrantes.
Para se beneficiar com a lei, os imigrantes têm que demonstrar uma atividade lícita, além de não ter dívidas com o fisco, nem apresentar antecedentes criminais em seu país de origem e no Brasil.
Diferentemente de países como Itália, França ou Inglaterra, o Brasil demonstra que os imigrantes também constroem uma grande nação e que dessa forma é possível humanizar e regularizar a situação de muitos.
Além do aspecto humanitário, há também de se perceber que deixando a clandestinidade, o cidadão estrangeiro que já usa os serviços fornecidos pelo estado (escola, assistência médica, infra-estrutura), passa também a contribuir através do fisco e da previdência.
O Brasil pode mostrar para o mundo através dessa lei que é possível conviver com as diferenças, respeitando a integridade do ser humano.
O banco russo venezuelano
Rússia e Venezuela decidiram criar o banco russo venezuelano com objetivo de financiar projetos de investimentos, particularmente nas áreas energética e de transporte.
Os dois países têm na exploração de petróleo e o comércio de gás natural, seu principal ponto de negociação. Mas o que de fato está por trás da criação de um banco entre as duas nações é o fornecimento de material bélico produzidos pela Rússia.
O negócio pode ser vantajoso para ambos os lados: a Rússia precisa ocupar sua capacidade de produção de armas, que se viu abalada principalmente pela crise financeira internacional e a concorrência da Coréia do Norte.
Por outro lado o governo da Venezuela insiste em estar preparado para se defender dos ataques iminentes dos inimigos.
No ano passado, Moscou concedeu a Chávez um crédito de 1bilhao de dólares para aquisição de armas, tornando a Venezuela o país latino-americano que mais importou armas russas.
Nesse projeto de se “blindar”, Chávez não se esqueceu do Brasil. A Embraer fechou contrato com a Venezuela no valor de U$ 300 milhões para fornecimento de aviões de treinamento.
Ainda é cedo para ver até onde vai o projeto de Chávez.
O desemprego na Europa
Segundo os dados oficiais, até março deste ano cerca de 420.000 pessoas perderam seus trabalhos dentro da zona dos países que utilizam o euro, o que significa que o nível de desemprego chegou aos 8.9%.
Sem dúvidas estas são cifras terríveis, mas parece que o pior ainda não passou, dado que as estimativas apontam que até o final do ano UE 3.5 milhões de postos de trabalho serão perdidos em toda a União Européia.
Como sucedeu desde o começo da crise, Espanha tem a taxa de desemprego mais alta da União Européia com 17.4%, em grande parte graças à queda dos turistas que visitam o país e ao colapso do mercado imobiliário.
Outro elemento inquietante sobre o desemprego, é que os níveis mais altos se apresentaram nas pessoas com menos de 25 anos, o que indica que um em cada cinco jovens europeus não tem trabalho.
*João Bosco Monte é coordenador do curso de Relações Internacionais da Faculdade 7 de Setembro (Fa7) e escreve a coluna Mapa-múndi às terças-feiras no O POVO Online